Dor: tipos e como a cannabis pode auxiliar nos seus tratamentos
A dor é uma reação do corpo humano a uma lesão ou doença, isto é, um sinal de alerta de que algo está errado.
Assim sendo, uma vez que cessa o motivo causador, normalmente, a pessoa para de sentir dor. Estamos falando da dor aguda.
Porém, existem muitos casos em que a dor continua mesmo depois que a sua causa desapareça. Estamos falando da dor crônica.
Existem outros fatores que diferenciam estes dois tipos de dor. Vejamos:
Aguda:
- Sinaliza lesão
- Função de proteção e de alerta fisiológico
- Curta duração
- Desaparece quando cessa a causa
- Pode ser claramente localizada
Crônica:
- Separada do evento causador
- Perdeu a função de proteção e de alerta fisiológico (torna-se uma doença por si só)
- Longa duração (maior que três meses)
- Intensidade não se relaciona com o evento causador
- Causa pode não ser conhecida
DOR CRÔNICA
Esta síndrome afeta pessoas de todas as idades e de ambos os sexos, sendo mais comum entre as mulheres e suas causas são tanto físicas quanto mentais (emocionais).
Na maioria dos casos a dor passa a interferir no modo de vida da pessoa e outros problemas podem surgir de forma secundária, tais como, problemas psicossociais, sedentarismo, abuso de álcool e drogas, insônia, dependência de medicamentos, dentre outros.
Geralmente esta situação faz com que a pessoa entre num círculo vicioso em que a dor leva à algum destes problemas secundários, e estes acabam piorando a situação específica de dor.
Já se sabe que pessoas com quadro depressivo e outras condições de saúde mental são mais propensas a desenvolverem a síndrome da dor crônica.
Em matéria publicada no portal PEBMED, restou esclarecido a respeito do assunto. Vejamos:
“Sensibilização central é uma condição do sistema nervoso associada ao desenvolvimento e manutenção da dor crônica. A sensibilização central desempenha um papel importante em muitos distúrbios de dor crônica diferentes, como na dor lombar crônica, dor no pescoço, dores de cabeça, enxaqueca, artrite reumatoide, artrose do joelho, endometriose, fibromialgia, síndrome do intestino irritável, lesões sofridas em um acidente de carro ou após cirurgias.
Quando ocorre a sensibilização central, o sistema nervoso passa a ficar em um estado persistente de alta reatividade. Esse estado de reatividade persistente diminui o limiar da dor e, posteriormente, mantém a dor mesmo depois que a causa original da dor tiver sido solucionada”.
O tratamento da síndrome da dor crônica não é simples e necessariamente envolve múltiplas disciplinas.
Para ter sucesso é imprescindível que o paciente seja convencido a mudar o seu estilo de vida, adotando hábitos saudáveis como alimentação balanceada, prática de exercício físico, psicoterapia, fisioterapia, técnicas de relaxamento, dentre outros.
Neste contexto, a cannabis pode ser muito útil no auxílio do tratamento da dor crônica por dois motivos.
Primeiramente, porque pode ser utilizada especificamente no controle da dor, uma vez que, possui conhecido efeito analgésico.
Atualmente mais da metade dos estados dos EUA têm leis sobre cannabis medicinal em vigor.
Segundo matéria publicada no Harvard Health Publishing, seu uso mais comum é justamente para o controle da dor. Vejamos:
“O uso mais comum da cannabis medicinal nos Estados Unidos é para o controle da dor. Embora a cannabis não seja forte o suficiente para dores fortes (por exemplo, dor pós-cirúrgica ou um osso quebrado), é bastante eficaz para a dor crônica que assola milhões de americanos, especialmente à medida que envelhecem. Parte de seu fascínio é que é claramente mais seguro do que opiáceos (é impossível uma overdose e muito menos viciante) e pode tomar o lugar de AINEs como Advil ou Aleve, se as pessoas não puderem tomá-los devido a problemas com seus rins ou úlceras ou DRGE .
Em particular, a cannabis parece aliviar a dor da esclerose múltipla e a dor nos nervos em geral. Esta é uma área onde existem poucas outras opções, e aquelas que existem, como Neurontin, Lyrica ou opiáceos são altamente sedativas. Os pacientes afirmam que a maconha permite que retomem suas atividades anteriores sem se sentirem completamente desligados e desengajados.
Nesse sentido, a cannabis é considerada um fantástico relaxante muscular, e as pessoas juram por sua capacidade de diminuir os tremores no mal de Parkinson . Também ouvi falar de seu uso com bastante sucesso para fibromialgia, endometriose, cistite intersticial e muitas outras condições em que a via final comum é a dor crônica”.
Logo, trata-se de eficiente alternativa analgésica com consideráveis vantagens em detrimento dos tratamentos que utilizam derivados de opióides, conforme demonstrado neste texto.
Além disso, em muitos casos a dor crônica está relacionada com patologias de ordem emocional.
Em matéria publicada no New Medical Life Science, Victor May, Ph.D. e professor de ciências neurológicas da Universidade de Vermont (UVM), declarou que:
“Dor crônica e transtornos relacionados à ansiedade frequentemente andam de mãos dadas“.
Diversas pesquisas vêm comprovando o quanto a cannabis, mais precisamente o Canabidiol (CBD), atua com sucesso nos tratamentos de transtornos ligados à ansiedade.
Neste artigo publicado no National Center for Biotechnology Information (NCBI), intitulado “Canabidiol como potencial tratamento para transtornos de ansiedade”, os pesquisadores esclarecem que:
“Canabidiol (CBD), um componente da Cannabis sativa, é uma droga de amplo espectro farmacologicamente que, nos últimos anos, tem despertado interesse crescente como tratamento para uma série de transtornos neuropsiquiátricos. O objetivo da presente revisão é determinar o potencial do CBD como um tratamento para transtornos relacionados à ansiedade, avaliando evidências de estudos pré-clínicos, experimentais em humanos, clínicos e epidemiológicos. Descobrimos que a evidência pré-clínica existente apoia fortemente o CBD como um tratamento para transtorno de ansiedade generalizada, transtorno do pânico, transtorno de ansiedade social, transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno de estresse pós-traumático quando administrado de forma aguda; no entanto, poucos estudos investigaram a dosagem crônica de CBD. Da mesma forma, evidências de estudos em humanos suportam um papel ansiolítico do CBD, mas atualmente está limitado à dosagem aguda, também com poucos estudos em populações clínicas”.
Assim sendo, a cannabis se mostra como interessante opção para o tratamento das patologias que levam à dor crônica em virtude de suas comprovadas ações analgésicas, anti-inflamatórias e ansiolíticas.
DOR AGUDA
Conforme dito anteriormente, a dor aguda é aquela que sinaliza uma lesão ou doença, possuindo função de proteção e de alerta fisiológico do organismo.
Neste caso a cannabis se mostra eficaz em virtude do seu já citado poder analgésico e de suas propriedades anti-inflamatórias.
Um fator que comprova seu potencial analgésico é a utilização cada vez maior por atletas de alto rendimento das mais variadas modalidades, tais como, ciclismo, boxe, UFC, atletismo, basquete, dentre outros.
Isto fez com que a Agência Mundial Antidopagem (WADA) retirasse o CBD de sua lista de substâncias proibidas, justamente para que atletas pudessem fazer a sua utilização em virtude de seus efeitos analgésico e anti-inflamatório.
Em matéria publicada no site Outside revelou-se que os esportistas estão cada vez mais substituindo os medicamentos tradicionais pelos derivados de cannabis. Vejamos:
“Andrew Talansky quase sempre está dolorido. O piloto de 29 anos passou sete anos como um ciclista profissional competindo pela Slipstream Sports. Ele recentemente mudou para o triatlo e agora passa horas treinando dentro e fora da bicicleta. “Estou usando músculos que não uso há anos”, diz Talansky. “Meu corpo está constantemente inflamado.” Muitos atletas em sua situação contam com o alívio da dor comum, como o ibuprofeno, mas quando Talansky fez uma distensão no flexor do quadril no outono passado, ele pegou uma garrafa de canabidiol (CBD), um extrato da planta de cannabis.
“Eu o peguei por algumas semanas e houve uma diferença perceptível imediatamente”, disse Talansky. “E não era só porque meu quadril estava melhor. Eu estava menos ansioso e dormindo melhor. ”
A cannabis há muito é considerada um analgésico alternativo, com o THC, o principal composto psicoativo da planta, recebendo a maior parte da atenção. O CBD é outro componente ativo e pode oferecer alguns dos mesmos benefícios médicos (anti-inflamatório, ansiolítico, analgésico), mas sem o efeito colateral de ficar chapado. O CBD interage com os receptores de serotonina e vaniloide no cérebro, que afetam o humor e a percepção da dor. Ele também tem propriedades antioxidantes. A Agência Mundial Antidopagem (WADA) removeu o CBD de sua lista de substâncias proibidas em janeiro, que levou muitos atletas profissionais, incluindo o ultrarunner Avery Collins e o ciclista de montanha Teal Stetson-Lee, a evitar o ibuprofeno para o CBD. Alguns acreditam que é uma alternativa mais segura aos analgésicos e anti-inflamatórios de drogarias”.
Diante de todo exposto, podemos afirmar que a cannabis vem se revelando uma excelente alternativa para o tratamento de ambos os tipos de dores, uma vez que possui comprovados efeitos analgésico, anti-inflamatório e ansiolítico.