Dor Crônica Cervical Refratária em Paciente Idoso com Resposta Favorável ao Uso de Cannabis Medicinal
Dor Crônica Cervical Refratária em Paciente Idoso com Resposta Favorável ao Uso de Cannabis Medicinal
R.M.O., masculino, 68 anos, médico ainda ativo na prática clínica, apresenta histórico pessoal relevante de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, revascularização miocárdica realizada em 2009 e antecedentes familiares de cardiopatia e doença de Alzheimer. Apesar de seu amplo contato com diferentes especialidades médicas ao longo da carreira, nunca havia utilizado cannabis de forma recreativa nem considerado seu uso terapêutico até recentemente.
O quadro álgico teve início em 2014, quando o paciente passou a experimentar dor cervical de intensidade moderada, inicialmente intermitente, mas que rapidamente evoluiu para padrão persistente, irradiando-se para a região escapular. Com a progressão do quadro, a dor tornou-se cada vez mais limitante, interferindo tanto em suas atividades profissionais quanto na rotina pessoal. Já em 2020, descrevia dor de intensidade importante (++++) e refratária às intervenções convencionais que realizara ao longo dos anos.
Sua trajetória terapêutica ilustra a complexidade dos casos de dor crônica musculoesquelética em pacientes idosos. Após o início dos sintomas, buscou avaliação ortopédica e iniciou fisioterapia convencional, porém sem evolução satisfatória. A acupuntura ofereceu melhora inicial, mas o benefício foi transitório, com piora significativa após a quinta sessão. Ao longo desse período, fez uso recorrente de anti-inflamatórios não esteroides, dipirona, paracetamol e, em momentos de exacerbação, tramadol, porém nunca alcançando alívio consistente ou sustentável.
Diante da progressão da dor, buscou acompanhamento reumatológico em 2018. Exames laboratoriais e de imagem apresentaram perfil reumatológico normal, levando à manutenção das orientações previamente adotadas: fisioterapia, acupuntura, uso de anti-inflamatórios e ciclos curtos de corticosteroides, novamente, sem resposta satisfatória. Com o agravamento do quadro em 2020, procurou um anestesiologista especialista em dor, que introduziu pregabalina e duloxetina, ambas mantidas até o momento atual, porém com impacto clínico mínimo.
O esgotamento das alternativas tradicionais levou o paciente, ele próprio médico, a buscar conhecimento aprofundado sobre intervenções alternativas. Em 2021 iniciou estudos formais sobre Cannabis Medicinal, concluindo uma certificação internacional após dois anos. Curiosamente, o primeiro contato empírico com o potencial terapêutico ocorreu em 2023, durante o WeCann Summit, onde conheceu os REUNI Δ9 THC Gummies. A partir de uma experimentação inicial, ainda antes de acompanhamento clínico especializado, relatou melhora expressiva da dor, algo inédito em sua longa trajetória terapêutica. Em 2024, durante nova participação no congresso, consolidou o uso do produto como parte de sua rotina terapêutica estruturada.
O paciente atualmente utiliza regularmente o REUNI Δ9 THC Gummie, Full Spectrum, contendo Δ9 THC 5 mg, CBD 30 mg, CBC 5 mg e CBG 5 mg por goma, uma formulação rica em canabinoides com potencial sinérgico relevante. A posologia instituída em 2024 consiste em ¼ de goma pela manhã, ¼ no período do almoço e ½ goma ao deitar. Segundo o paciente, esse fracionamento ao longo do dia proporciona controle contínuo da dor, melhora global da funcionalidade e otimização do sono, sem induzir sedação excessiva durante o período ativo.
Desde o início do uso regular dos gummies, o paciente relata redução significativa e sustentada da dor, associado a melhora progressiva do padrão de sono, diminuição da ansiedade secundária ao quadro doloroso crônico e retomada de atividades diárias com maior autonomia e qualidade de vida. O tratamento tem sido bem tolerado, sem registro de eventos adversos até o momento. A evolução positiva chama atenção especialmente por se tratar de um caso com mais de uma década de dor refratária, múltiplas comorbidades e falha terapêutica a diversas abordagens farmacológicas e não farmacológicas.
Este relato reforça a importância da individualização terapêutica na dor crônica, especialmente em pacientes idosos com longa história de refratariedade. Ainda que não substitua a necessidade de estudos controlados, a experiência clínica desse caso ilustra o potencial da cannabis medicinal, particularmente quando empregada em formulações full spectrum, como ferramenta útil no arsenal terapêutico, sobretudo quando abordagens tradicionais se mostram insuficientes para restaurar qualidade de vida.
