Cannabis Medicinal

Tudo sobre Canabinóides: O que são e potenciais efeitos

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Os canabinóides são compostos fitoquímicos da planta Cannabis Sativa que ativam receptores canabinóides do tipo CB1 ou CB2 presentes em nosso corpo humano de diferentes maneiras, podendo ser usados para explorar diversos efeitos terapêuticos.

Cada variação (cepa) de cannabis possui concentrações diferentes de canabinóides.

Em algumas, é possível encontrar mais concentração de CBD, menos de THC, e a proporção dessas substâncias podem variar bastante. 

Você sabe como as variações podem oferecer benefícios terapêuticos e medicinais?

Neste artigo, veremos:

  • O que são canabinóides
  • Tipos de canabinóides
  • Como funciona o sistema endocanabinóide e os receptores
  • Como os canabinóides podem agir em nosso corpo humano
  • Quais são seus potenciais efeitos e benefícios

O que são Canabinóides

A palavra “canabinóides” refere-se a substâncias, naturais ou artificiais, que conseguem ativar algum dos receptores canabinóides do tipo CB1 ou CB2 presentes em nosso corpo humano. 

Esta relação entre as substâncias e os receptores possui grande potencial terapêutico.

Existem canabinóides que ativam receptores responsáveis por ações do sistema nervoso, outros do sistema imunológico.

Essa relação acontece principalmente por dois motivos:

  1. Por causa da semelhança dos canabinóides com substâncias que o nosso próprio organismo produz
  2. Pela capacidade de ligação que essas substâncias fazem com receptores localizados em nosso cérebro e corpo.

O efeito combinado do sistema endocanabinóide com canabinóides é um mecanismo interno auto-regulador e redutor de danos que exerce seus efeitos de maneira benéfica em uma enorme quantidade de sistemas e células no corpo.

É nesse sistema complexo e vasto que muitas pessoas estão despertando para o poder curativo que existe nas plantas quando usado como um medicamento potente.

Tipos de Canabinóides

Existem três compostos de canabinóides, sendo eles os “fitocanabinóides”, os “endocanabinóides” e os “canabinóides sintéticos:

  • Fitocanabinóides: sintetizados pela planta Cannabis Sativa diretamente em suas formas não psicoativas e em suas formas ácida e neutra.
  • Sistema endocanabinóide: composto por canabinóides endógenos, ou seja, canabinóides já existentes no corpo humano, e receptores canabinóides, incluindo receptores CB1 localizados principalmente no cérebro e tecido periférico e receptores CB2 nos sistemas imunológico e hematopoético.
  • Canabinóides sintéticos: totalmente criados em laboratório como uma cópia da estrutura molecular com finalidade da produção de medicamentos e projetados como ferramentas de pesquisa para estudos científicos sobre canabinóides. 

No entanto, os sintéticos nunca demonstraram ser confiáveis ​​para o consumo humano em testes clínicos e não existem comprovações dos benefícios pelo efeito Entourage (efeito combinado dos diferentes compostos da maconha) e naturalidade molecular.

A ciência já catalogou mais de 400 canabinóides diferentes. Confira as principais subclasses:

THC delta 9 (Tetrahidrocanabinol)

O THC é o canabinóide mais conhecido da cannabis por ser responsável pelos efeitos psicoativos da erva.

A sigla dada para a substância vem do nome tetra-hidrocanabinol, mas também é conhecida como THC Delta 9. Ele se liga principalmente aos receptores encontrados no cérebro.

O seu uso terapêutico está extremamente relacionado à redução ou até mesmo eliminação da dor, náusea e o estresse.

Algumas aplicações médicas são indicadas no tratamento de câncer, fibromialgia, dor crônica pós-operatória, combate a insônia e estímulo do apetite.

THC delta 8

O THC Delta 8 é um dos quatro canabinóides mais comuns, semelhante ao seu THC relativo psicoativo, mas com algumas diferenças importantes.

O THC Delta 8 se liga ao receptor CB1, localizado no sistema nervoso central, esse agente exibe uma potência psicotrópica menor que o THC Delta 9.

Psicoativo assim como o Delta 9, esse componente atua como um broncodilatador, podendo tratar infecções pulmonares.

THCa

O THCA é o canabinóide não-psicoativo mais abundante encontrado na cannabis. Trata-se da forma ácida do THC, encontrada na cannabis crua, em sua forma natural.

O THCA é menos conhecido, mas cada vez mais estudos estão aparecendo demonstrando o valor medicinal desse componente. Por não ser psicoativo, não altera o estado mental de quem o consome.

Os benefícios para a saúde fornecidos pelo THCA são mais bem absorvidos pelo corpo através de um método de consumo bruto, como o suco de cannabis. Ele pode ajudar a estimular o apetite em pacientes que sofrem de anorexia.

De forma impressionante, pesquisas demostraram que o THCA também ajuda a diminuir a proliferação de células cancerígenas.

THCv

O THCV é um canabinóide psicoativo encontrado mais prevalente em espécies sativas da planta cannabis, na maconha africana e no haxixe paquistanês.

Ao contrário do THC, o THCV trabalha para suprimir o apetite e por este motivo não é recomendado para pacientes que sofrem anorexia. 

A substância também tem o potencial de tratar a dor (especialmente a dor neuropática) e a epilepsia. Ele interage diretamente com o THC, podendo potencializar seus efeitos medicinais.

CBD (Canabidiol)

O canabidiol ganhou o status de protagonista do uso medicinal da cannabis.

Sem efeitos psicoativos, o CBD é um importante fitocanabinóide que produz uma grande quantidade de efeitos farmacológicos, antioxidantes e anti-inflamatórios.

A substância que representa quase 40% dos extratos da planta Cannabis Sativa, tem o poder de tratar diversas patologias, especialmente quando a relação CBD/THC é adequada ao tratamento (o chamado efeito comitiva). 

Dentre as  melhores respostas terapêuticas, o canabidiol tem ajudado no tratamento de epilepsia, ansiedade e alzheimer.

CBN (Canabinol)

O CBN tem uma afinidade maior com o receptor CB2, logo, acredita-se que o efeito do CBN é mais relevante no sistema imunitário, agindo como um anticonvulsivante, anti-inflamatório e aumento na produção de testosterona. Há pouquíssimo canabinol na planta in natura.

Ele é considerado um componente ligeiramente psicoativo e pode ser usado efetivamente como um auxiliar do sono ou um sedativo.

Este canabinóide também ajuda a regular o sistema imunológico, reduzir a pressão intraocular provocada pelo glaucoma e aliviar a dor e as inflamações causadas por várias condições, incluindo a artrite e a Doença de Crohn.

CBG (Cannabigerol)

O Cannabigerol (CBG) é um potente anti bactericida que é provado ser superior ao THC, CBD e CBC contra bactérias gram-positivas, microbactérias e fungos. É um ligante do receptor canabinóide CB2 e um inibidor da reabsorção da anandamida.

A substância não é psicoativo e tipicamente é abundante em plantas com baixo teor de THC. Ele atua como um amortecedor para a psico-atividade do THC e pode combater a dor, inflamação, náuseas.

Ainda em estudos, há ainda a possibilidade de o CBG auxiliar no tratamento da epilepsia e de glaucoma, já que ele parece auxiliar na diminuição da pressão intraocular.

CBC (Canabicromeno)

Pouco estudado, o CBC tem demonstrado grande potencial anticancerígeno e em tornar a dor menos perceptível.

Ele  é um canabinóide poderoso e não psicoativo e desempenha um papel significativo nas capacidades anticancerígenas e antitumorais da cannabis. Combate também a inflamação, mas sem ativar nenhum dos receptores endocanabinóides do organismo. 

Por esta razão, os poderes de cura da CBC aumentam significativamente quando combinados com outros canabinóides, como THC ou CBD (que ativam os receptores endocanabinóides em todo o corpo).

O CBC também apresenta função anti-inflamatória, antimicrobial, fungicida, hipotensor (diminui a pressão sanguínea) e sedativo.

CBDa

O Ácido Canabidiólico ou CBDA é um canabinóide não psicoativo. O CBDA atua como um antiproliferativo, o que significa que evita a disseminação de células cancerígenas.

De modo mais exclusivo, o CBDA retarda o crescimento de bactérias, por isso é benéfico no tratamento de condições como HIV/AIDS e Doença de Crohn, em que o corpo está mais suscetível a infecções bacterianas.

CBDv

Canabidivarina ou CBDV é um canabinóide não psicoativo. É encontrado mais abundantemente em plantas indicas. Como o CBD, o CBDV reduz significativamente a frequência e gravidade das convulsões.

Além disso, o CBDv é benéfico no tratamento de distúrbios da dor, humor e pode atuar no tratamento de esclerose múltipla, convulsões, inflamação e náuseas.

Como funciona o sistema endocanabinóide no corpo humano – Entenda os receptores CB1 e CB2

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O termo “endo” significa que nasce no corpo. Ou seja, neste caso, o sistema endocanabinóide refere-se a  canabinóides que são produzidos dentro do próprio corpo humano.

A principal função do sistema é manter o equilíbrio, produzindo endocanabinóides para ativar e regular funções e padrões corporais essenciais como o humor, sono, apetite. metabolismo, dor, memória, sistema imunologico, inflamações, digestão e até desenvolvimento dos neurônios.

O sistema é composto por nossos próprios endocanabinóides de ocorrência natural, as enzimas que ajudam a produzi-los e degradá-los e, o mais importante, os receptores de canabinóides

Esses endocanabinóides são chamados de neurotransmissores de ordem-curta, ou seja,  eles só sintetizam quando o corpo sinaliza que eles são necessários. 

Os canabinóides agem como um adaptador, permitindo que o corpo se harmonize adequadamente com mudanças e estressores em nosso ambiente. 

O sistema canabinóide consegue isso ligando-se à maioria das células do corpo e monitorando vários sistemas orgânicos, com efeitos que variam do controle da inflamação, impedindo a sensação de dor, fornecendo proteção aos nossos tecidos e muito mais.

Até agora, foram descobertos dois canabinóides principais sintetizados endogenamente (produzidos em nossos corpos) e são conhecidos como Anandamida, a molécula de felicidade e o 2-AG (araquidonoilglicerol).

A anandamida é um composto que o nosso próprio organismo fabrica, substância que conta com algumas propriedades muito similares às do THC. 

Por isso, muitos dizem que esse neurotransmissor é uma “maconha natural” que o corpo humano produz. 

A anandamida tem um efeito similar ao da maconha sobre o corpo. Sua ação é basicamente relaxante. Ela acalma e regula o sistema cardiovascular. Além disso, também gera uma sensação de felicidade.

O 2-AG (araquidonoilglicerol) também é produzida em nosso corpo em resposta aos estímulos locais. Sua função está ligada ao controle endócrino, formação de células vermelhas no sangue e a implementação e desenvolvimento embrionário.

Os receptores Canabinóides CB1 e CB2

O nosso corpo produz seus próprios canabinóides (endocanabinóides) e também possui receptores para interagir diretamente com eles.

Os dois receptores mais importantes do corpo também são o tipo de receptor mais denso no cérebro e na medula espinhal, estamos falando dos receptores CB1 e os receptores CB2.

Os receptores CB1 estão associados à dor e percepção sensorial, memória, cognição, emoção, hormônios, apetite e metabolismo.

Eles estão localizados em todo o corpo, com maior expressividade no sistema nervoso central (SNC), em regiões como hipocampo, gânglios basais e cerebelo.

Os receptores CB2 são encontrados principalmente no sistema imunológico de zona periféricas, como baço, amígdalas e timo, mas também nos músculos e ossos.

Potenciais benefícios e efeitos dos Canabinóides

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A capacidade única de comunicarem-se naturalmente com o organismo, fazendo ligações com os mesmos receptores localizados no cérebro e no corpo humano, faz com que os canabinóides sejam um medicamento promissor para os seres humanos. 

Oferecem eficácia médica em seres humanos por conta de sua semelhança com substâncias que o nosso organismo produz.

Utilizados com sucesso no tratamento de condições como câncer e convulsões; e em sintomas como inflamações e dores crônicas, os canabinóides trazem uma nova perspectiva aos fármacos existentes.

Embora os canabinóides produzem efeitos diretos sobre um determinado número de órgãos, incluindo os sistemas imunológico e reprodutivo, os principais efeitos farmacológicos observados estão relacionados ao sistema nervoso central. 

Por isso, existem diversas formas de consumir os diferentes tipos de canabinoides para atingir o efeito e benefícios esperado.

Não é preciso fumar, existem dezenas de possibilidades de consumo de medicamentos à base de cannabis.

Alguns exemplos das aplicações terapêuticas dos canabinóides são:

Esclerose múltipla

O THC combate as dores neuropáticas, a espasticidade e os distúrbios de sono causados pela doença. O Nabiximol, canabinoide comercializado com essa indicação na Inglaterra, Canadá e outros países com o nome de Sativex, não está disponível para os pacientes brasileiros.

Epilepsia

Estudo mostrou que 11% dos pacientes ficaram livres das crises convulsivas com o uso da cannabis com teores altos de canabidiol; em 42% o número de crises diminuiu 80% e, em 32% dos casos, a redução variou de 25% a 60%.

Canabinoides sintéticos de uso oral estão liberados em países europeus.

Dores crônicas

A cannabis é usada há séculos com essa finalidade. Os canabinóides exercem o efeito antiálgico, ao agir em receptores existentes no cérebro e em outros tecidos.

O dronabinol, comercializado em diversos países para uso oral, reduz a sensibilidade à dor.

Glaucoma

Doença causada pelo aumento da pressão intraocular, pode ser combatida com os efeitos transitórios do THC na redução da pressão interna do olho.

Náuseas

O tratamento das náuseas provocadas pela quimioterapia do câncer, foi uma das primeiras aplicações clínicas do THC.

Anorexia e caquexia associada à aids

A melhora do apetite e o ganho de peso em doentes com aids avançada foram descritos há mais de vinte anos, antes mesmo de surgirem os antivirais modernos.

Inflamações

O THC e o canabidiol são dotados de efeito anti-inflamatório que os torna candidatos a tratar enfermidades como a artrite reumatoide e as doenças inflamatórias do trato gastrointestinal (retocolite ulcerativa, doença de Crohn, entre outras).

Quando existem outros efeitos além dos buscados pela medicação, fala-se em efeitos colaterais.

Eles podem ocorrer porque não necessariamente a substância usada para sintomas motores age somente em áreas motoras.

A intensidade dos efeitos colaterais varia de acordo com o indivíduo, assim como em qualquer outro remédio.

Como funciona o Óleo de Cannabis medicinal

Em 2015, a ANVISA retirou o CBD da lista de substâncias ilegais no Brasil, passando para a lista de substâncias controladas, exigindo receita e laudo médico para a importação. 

Alguns métodos podem ser usados para a ingestão do medicamento. 

O composto é geralmente vendido como óleo ou pomada, mas também vem em tabletes, folhas para colocar sob a língua, cremes, soros para o rosto e outros produtos.

O comércio mais comum é o óleo de CBD, que estimula o corpo a se regular e se equilibrar novamente. 

Além de ajudar a regular o equilíbrio do pH no sangue, também atua na percepção da dor, a regulação do apetite, o humor, o nível de energia, a memória e, acima de tudo, o sistema imunológico. 

Canabinóides Sintéticos

Algumas indústrias e laboratórios acadêmicos desenvolveram fármacos baseados nas estruturas de compostos canabinóides, mas uma das dificuldades encontradas foi o isolamento dos efeitos psicotrópicos, o que impossibilitou o uso medicinal destes compostos.

Uma exceção foi o Nabilone, uma potente substância do tipo canabinoide, que apresentou sucesso em sua utilização como agente antiemético no Reino Unido e em outros países. 

Este medicamento é usado para tratar náuseas e vômitos graves causados ​​pelo tratamento medicamentoso do câncer (quimioterapia).

Conclusão

Agora que você já tem uma visão profunda sobre os canabinóides, vamos recapitular os principais pontos:

  1. Os canabinóides são substâncias encontradas na planta Cannabis Sativa, mas também produzimos em nosso próprio organismo de forma natural. 
  2. No corpo humano existem receptores dos canabinóides responsáveis por regular o sistema imunológico e sistema nervoso (sistema endocanabinoide).
  3. A ciência já catalogou mais de 400 canabinóides diferentes. Os dois mais conhecidos são o THC e CBD.
  4. O uso de canabinóides e a relação com nossos receptores para fins terapêuticos e medicinais já são associados para ajudar no tratamentos de doenças como câncer, alzheimer, epilepsia, dores crônicas, esclerose múltipla, entre outras.
  5. Existem diversas formas de consumir os canabinóides, como através de óleo, pomada, tabletes, folhas para colocar sob a língua, cremes, soros para o rosto e outros produtos.

Ainda ficou alguma dúvida sobre os canabinoides? Deixe seu comentário.

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Autor

ReMederi

A Remederi é uma empresa brasileira de saúde, com a missão de promover qualidade de vida por meio do acesso a produtos, serviços e educação sobre Cannabis medicinal.

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